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Diabetes Gestacional: Sintomas, causas e tratamento

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O diabetes gestacional é um problema relativamente comum que, nas últimas décadas, tem apresentado um aumento progressivo.

Dependendo da localidade, entre 2 e 15% das mulheres grávidas podem ser acometidas por diabetes gestacional.

Sendo um problema tão comum, é importante que você conheça um pouco mais sobre essa doença para saber o que fazer caso algum indício dela apareça enquanto você espera o seu bebê.

Ao ler este artigo, você vai entender o que é diabetes gestacional e quais são suas principais causas e consequências, além de saber se a doença tem cura e como é feito o tratamento.

Veja os próximos tópicos.

O que é diabetes gestacional

O diabetes gestacional ou diabetes mellitus gestacional (DMG) corresponde a uma intolerância aos carboidratos caracterizada pelo aumento dos níveis de glicose no sangue durante a gravidez. 

Para se considerar diabetes gestacional, é preciso o diagnóstico da patologia pela primeira vez durante a gravidez.

Portanto, mulheres que desenvolveram a doença antes da gravidez não portam diabetes gestacional.

Aproximadamente 90% dos casos de diabetes em grávidas são DMG enquanto apenas 8% correspondem a DM tipo 2 preexistente.

É muito comum que o DMG desapareça depois do parto, mas também existem casos em que ele persiste. 

O problema está diretamente ligado a uma disfunção metabólica que pode durar até três anos após o nascimento do bebê. 

O diabetes gestacional, assim como qualquer tipo de diabetes, interfere na forma como as células do organismo utilizam a glicose. 

Como se desenvolve o diabetes gestacional

Para entender como a doença se desenvolve, lembre-se que as gestantes têm maior propensão a terem hipoglicemia do que as mulheres que não estão grávidas.

Isso significa que o nível de glicose no sangue tende a ficar baixo durante o sono e fora dos horários das refeições.

A tendência à hipoglicemia ocorre porque o feto consome constantemente a glicose da mãe, mesmo quando ela está em jejum.

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À medida que o bebê vai se desenvolvendo, ele vai precisando de mais glicose e, no segundo trimestre de gravidez, o consumo de glicose pelo bebê torna-se muito mais intenso.

Nessa fase, o próprio organismo cria um mecanismo de controle da hipoglicemia por meio da produção de hormônios como estrogênios e progesterona pela placenta.

Esses hormônios atuam no sentido de diminuir o poder de ação da insulina. Assim, uma quantidade maior de glicose fica disponível na corrente sanguínea.

Mas o efeito dos hormônios pode ser muito forte e, quando chega ao fim da gravidez, o pâncreas da gestante precisa produzir muito mais insulina para evitar níveis elevados de glicose no sangue, ou seja, a hiperglicemia.

Quando o organismo não consegue produzir toda a insulina necessária para evitar a possível hiperglicemia decorrente da ação dos hormônios da gravidez ou quando há uma grande resistência à insulina produzida, surge o diabetes gestacional.

Por isso, mulheres com diabetes gestacional possuem altos níveis de glicose no sangue, sobretudo após as refeições, quando o organismo recebe a glicose vinda do alimento.

Quando o problema surge?

O problema costuma surgir a partir da vigésima semana de gestação e pode prejudicar seriamente o bebê e a mãe.

É muito importante ficar atenta e fazer exames laboratoriais, pois, diferentemente das outras formas de diabetes, o diabetes gestacional não costuma apresentar sintomas.

As alterações no padrão de fome, as muitas idas ao banheiro para urinar e a sensação de cansaço, que poderiam ser considerados sintomas da doença, também são sintomas da própria gravidez. Portanto, não podem ser consideradas parâmetros para a percepção do diabetes gestacional.

Outros sintomas mais raros que podem ser sinais do diabetes gestacional é a sede excessiva e a visão turva. Mas, na maioria dos casos, eles não aparecem.

Por isso, os médicos pedem o exame de glicose pelo menos três vezes ao longo da gestação, sendo o primeiro deles realizado por volta da 20ª semana.

Principais causas

Como vimos, o diabetes gestacional pode se desenvolver em qualquer gestante devido às alterações que ocorrem no organismo durante a gravidez.

Mas existem alguns fatores de risco, como a obesidade anterior à gestação e o ganho excessivo de peso em razão dela.

Além disso, mulheres com hipertensão, com baixa estatura (menos de 1,5 metro) e que engravidam em idade um pouco mais avançada (após os 35 anos) também devem ficar atentas.

Outro fator de risco é o histórico de pessoas da família que têm diabetes, principalmente parentes de primeiro grau.

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Também têm maiores chances de desenvolverem a doença as mulheres com antecedentes obstétricos de abortamento de repetição, malformações e morte fetal ou neonatal.

São muitas as alterações pelas quais o organismo da mulher passa durante a gestação, mas o processo natural seria que o próprio organismo criasse mecanismos de adaptação eficazes.

É isso que deveria acontecer quando o pâncreas produz mais insulina para lidar com os hormônios da gravidez no fim da gestação.

Mas, muitas mulheres já apresentam algum grau de resistência à insulina quando engravidam. É o caso de quem é obesa ou está com sobrepeso e de quem tem síndrome dos ovários policísticos

Nesses casos, o estado fisiológico de resistência à insulina é potencializado com o desenvolvimento da gestação.

Consequências do diabetes gestacional

Os altos níveis de glicose circulando no sangue podem atravessar a placenta e afetar o bebê.

Quando o feto entra em contato com essa alta dosagem de glicose, o seu próprio pâncreas se esforça para produzir mais insulina na tentativa de evitar a hiperglicemia fetal.

Como a insulina estimula o crescimento e o ganho de peso, os bebês de gestantes com diabetes gestacional costumam nascer com mais de 4 kg, o que pode atrapalhar os seus planos, caso você deseje um parto natural.

Ao contrário do que acreditava-se há algumas décadas, bebês com maior peso não necessariamente são mais saudáveis.

Até que ponto é prejudicial para o bebê?

Quando eles ganham muito peso dentro do útero, podem sofrer traumas durante o parto e sua saúde pode ser prejudicada.

Além disso, a alta concentração de insulina pode comprometer a oxigenação do feto e causar problemas em seu desenvolvimento.

Alguns outros riscos do diabetes gestacional são o abortamento, o parto prematuro e a pré-eclâmpsia. 

Daí o alto número de cesáreas de emergência realizadas em mulheres que desenvolveram a DMG.

Bebês nascidos de mães que tiveram diabetes gestacional correm mais riscos de terem problemas respiratórios e cardíacos, além de icterícia.

Por isso a DMG aumenta vertiginosamente as probabilidades de internação dos recém-nascidos em UTIs neonatais.

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Há também o risco de hipoglicemia após o parto e até de morte intrauterina, nos casos mais graves em que o tratamento não é feito.

Quando tornam-se adultos, esses bebês têm mais chances de desenvolverem diabetes mellitus tipo 2 e obesidade.

Diabetes gestacional tem cura?

Na maior parte das vezes, o diabetes gestacional desaparece após o nascimento do bebê, já que o organismo feminimo não está mais sujeito às alterações e adaptações do período de gestação.

Mas as mulheres que tiveram a doença precisam controlar sua dieta, seu peso e praticar atividades físicas, pois têm grandes chances de desenvolverem diabetes tipo 2.

Tratamento

O tratamento para o diabetes gestacional consiste na criação de estratégias para o controle dos níveis de glicose no sangue da gestante.

Portanto, o primeiro passo para evitar que a doença prejudique o seu bebê é seguir uma dieta totalmente saudável com o controle das calorias, dos carboidratos e das gorduras.

Além disso, os exercícios físicos adequados são muito bem-vindos, pois ajudam na produção de insulina e em sua atuação.

Aliás, esses são hábitos importantes para todas as gestantes e não somente para as que desenvolvem diabetes gestacional.

Portanto, faça pelo menos 30 minutos de atividades físicas diárias, sempre com a orientação de um profissional da saúde e respeitando as contraindicações próprias do período gestacional.

Além disso, para ter a certeza de que sua dieta está adequada às necessidades do seu organismo e do bebê, você pode contar com a ajuda de um nutricionista.

Calcule e controle o seu consumo semanal de calorias de acordo com o seu IMC e substitua ou diminua os açúcares da sua dieta.

Quando aplicar insulina?

Nos casos em que a mudança dos hábitos alimentares e a prática de exercícios não forem suficientes para o controle da glicose, pode ser necessária a aplicação de injeções de insulina.

Se foi feito o diagnóstico de diabetes gestacional, seu médico deve te orientar quanto à realização diária de medições da glicemia para evitar os picos de liberação de insulina.

Quando não se consegue controlar os níveis de glicose, o parto é induzido na 39ª semana de gestação, caso o trabalho de parto não aconteça naturalmente antes disso. 

 Isso acontece para evitar que o bebê cresça demasiadamente dentro do útero e sofra traumas durante o parto.

Para evitar essa situação, é importante o cultivo dos hábitos saudáveis mesmo antes da gravidez.

Assim, seu organismo estará preparado e saudável para ser o ambiente de formação e desenvolvimento do seu bebê.

Lembre-se de que, todos os problemas podem ser resolvidos com os cuidados certos e os artigos do nosso blog são produzidos com a intenção de te deixar bem informada sobre assuntos relacionados não só à gravidez e aos bebês, mas também à saúde feminina, à maternidade e à educação infantil.

Se você tem ou teve diabetes gestacional, conte-nos sobre a sua experiência nos comentários. A troca de informações também é um dos propósitos do nosso blog! Cuide-se e até o próximo post!

 

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